Canabidiol no Tratamento da Dor Crônica: Evidências, Segurança e Indicações Clínicas Resumo
- Patricia Alves
- 3 de ago. de 2025
- 4 min de leitura

Revisões sistemáticas recentes (2023–2025) indicam que o canabidiol (CBD) pode promover reduções modestas na dor crônica, particularmente neuropática e nociplástica, com níveis de evidência variando de baixa a moderada . Em uma análise de 15 estudos clínicos, observou-se diminuição na intensidade da dor entre 42% e 66%, embora com limitações como heterogeneidade metodológica e amostras pequenas . Atualizações de 2025 reforçam benefícios modestos em dor neuropática, com possível redução no uso de opioides, mas destacam a necessidade de mais estudos robustos para confirmação a longo prazo . No contexto brasileiro, evidências locais sugerem alívio em até 77,6% dos pacientes em revisões com milhares de participantes, integrando-se bem a terapias complementares como acupuntura em reumatologia .
1. Introdução
A dor crônica, definida como persistente por ≥3 meses, afeta bilhões globalmente e impõe desafios significativos ao sistema de saúde, incluindo no Brasil, onde prevalências elevadas em condições reumáticas e neuropáticas demandam opções terapêuticas inovadoras . O CBD surge como alternativa complementar, especialmente em casos refratários a analgésicos convencionais, com potencial sinérgico em práticas como acupuntura e reumatologia, promovendo alívio holístico e redução de dependência a opioides .
2. Mecanismos de Ação
O CBD modula o sistema endocanabinoide, interagindo com receptores CB1 e CB2, canais TRPV-1, receptores 5-HT1A e vias anti-inflamatórias, reduzindo a nocicepção, inflamação e hiperalgesia . Em dor crônica, inibe mediadores pró-inflamatórios como citocinas e prostaglandinas, com efeitos neuroprotetores em condições neuropáticas, diferenciando-se do THC por ausência de psicoatividade . Estudos pré-clínicos confirmam sua ação em modelos de artrite e fibromialgia, sugerindo sinergia com acupuntura ao modular vias de dor central .
3. Evidências Clínicas Recentes
• Revisão de Mohammed et al. (2024): Analisou 15 estudos clínicos, reportando alívio da dor entre 42% e 66% com CBD isolado ou combinado a THC, mas com baixa potência amostral e heterogeneidade; foco em dor neuropática e musculoesquelética .
• Living systematic review de Chou et al. (2023, atualizada em 2025): Evidência baixa a moderada para melhora discreta em dor neuropática (redução média de 0,5–1 ponto em escalas VAS), com efeitos adversos comuns como tontura e náusea mais frequentes em formulações com alto THC-CBD .
• Revisão de Lopes Júnior et al. (BrJP, 2023): Em estudos com até 7.389 pacientes, 77,6% relataram redução da dor crônica com cannabis e derivados, benefícios adicionais no sono e possível diminuição no consumo de opioides; ênfase em contextos brasileiros .
• Atualizações de 2025 (ex.: AHRQ review): 26 RCTs e 12 estudos observacionais confirmam benefícios modestos em dor não oncológica, com evidências mais fortes para neuropatia e potencial redução de opioides em 20–30% .
• Revisão de Cásedas et al. (MDPI, 2024): CBD isolado demonstra propriedades analgésicas e anti-inflamatórias em evidências clínicas e pré-clínicas, com redução de mediadores inflamatórios em dor crônica .
Nota: A referência a Bezerra et al. (RBMFC 2024) não foi localizada em buscas acadêmicas; substituída por evidências semelhantes de revisões brasileiras recentes, como a do Comitê de Dor da SBA (2024), que recomenda CBD como adjuvante em dor crônica na atenção primária .
4. Protocolos Clínicos: Dose, Titulação e Indicações
Não há consenso padronizado, mas protocolos sugerem iniciar com CBD isolado (sublingual ou oral) em doses baixas (5–10 mg/dia), titrando gradualmente (aumentos de 5–10 mg/semana) até resposta clínica, com máximo de 20–50 mg/kg em casos graves . Indicações principais: dor neuropática (ex.: diabética, pós-quimioterapia), nociplástica (fibromialgia) e inflamatória (artrite reumatoide). Em reumatologia, combine com acupuntura para potencializar efeitos anti-inflamatórios; monitore via escalas como VAS e SF-36. Para prescrição de CBD, avalie interações com opioides ou anti-inflamatórios .
5. Segurança e Efeitos Adversos
• O CBD isolado apresenta baixo potencial de abuso e ausência de efeitos psicoativos, com perfil de segurança favorável em doses moderadas .
• Efeitos adversos comuns incluem tontura, fadiga, náusea e sedação (incidência 10–30%), geralmente leves e dose-dependentes; eventos graves são raros (≤1%) .
• Risco aumenta com combinações THC-CBD em ratios elevados de THC (>98%), associadas a maior sedação e interações medicamentosas . Em populações vulneráveis (idosos, reumáticos), monitore função hepática e interações com imunossupressores .
6. Considerações Regulatórias e Culturais no Brasil
Desde 2015, a Anvisa classifica o CBD na lista C1, permitindo prescrição por médicos especializados via receita de controle especial (RDC 327/2019, atualizada em 2022 e 2025) . Importação individual é autorizada, mas produtos nacionais requerem registro; em 2025, avaliações de qualidade destacam variabilidade em rótulos, exigindo vigilância . Culturalmente, estigmas persistem, mas aceitação cresce em contextos reumatológicos e de acupuntura, com ênfase em educação paciente para adesão ética .
7. Conclusão
O canabidiol oferece potencial analgésico modesto para dor crônica neuropática e inflamatória, com evidências limitadas mas promissoras em redução de opioides e melhora na qualidade de vida . Seu uso deve ser individualizado, integrado a terapias como acupuntura em reumatologia, e monitorado clinicamente. Estudos multicêntricos robustos, especialmente no Brasil, são essenciais para validar eficácia a longo prazo, segurança e impacto funcional.
Referências Selecionadas 📚
• Mohammed SYM et al. Effectiveness of Cannabidiol to Manage Chronic Pain: A Systematic Review (2024). Pain Management Nursing. Link
• Chou R et al. Living Systematic Review on Cannabis and Other Plant-Based Treatments for Chronic Pain (2023, atualizada 2025). AHRQ. Link
• Lopes Júnior et al. Use of cannabis and its derivates in chronic pain management: systematic review (2023). BrJP. Link
• Comitê de Dor da SBA. Cannabinoid products for pain management: recommendations (2024). Brazilian Journal of Anesthesiology. Link (substituição para Bezerra et al., não verificada)
• Cásedas G et al. Cannabidiol (CBD): A Systematic Review of Clinical and Preclinical Evidence in the Treatment of Pain (2024). Pharmaceuticals. Link
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